quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Faltam 163 dias - O jantar de noivado


Quando contei à meu pai que queria me casar, ele disse tudo bem, mas Beto precisava pedir minha mão em casamento! Era tudo brincadeirinha, mas Beto levou à sério e começou a ficar ansioso, perguntando quando seria. Daí minha mãe gostou da idéia e aproveitou para marcar um jantar de noivado!
A princípio seria apenas nós quatro: eu, Beto e meus pais, mas achamos interessante convidar meus avós e a mãe de Beto para fazer uma surpresa. E daí começou um dilema: contar para a mãe do noivo na mesma ocasião dos avós não seria desrespeitar a hierarquia?

Só que minha avó ficou sabendo... Quando liguei para ela ouvi "Soube de uma notícia que me deixou tão feliz... você sabe que eu sempre acreditei que, de todos os seus namorados, Beto foi aquele que você mais amou?" Ufa! Ainda bem! Já pensou se ela falasse que foi outro?

Quando contei à Beto ele só fez me olhar para que eu confirmasse o que minha avó falou... hum... deixe-me pensar... Segundo Lili, minha irmã, depois de várias tentativas e erros eu tinha que ter acertado!

Então, já que minha avó sabia, Célia deveria saber também e, ao buscá-la no aeroporto, Beto contou-lhe a notícia.

E o íntimo jantar dos noivos logo se transformou em uma pequena grande festa! Minha mãe convidou mais algumas pessoas, tinha gente achando que a surpresa era que eu estava grávida, Beto se refugiou na varanda e eu não sabia se contava logo no início (para pararem de olhar para a minha barriga=) ou se esperava todo mundo comer para contar.

Minha mãe achou melhor esperar para entrar no clima, mas a demora (e a barriga cheia) fez com que algumas pessoas passassem a ter certeza que era gravidez mesmo (preciso voltar a andar na esteira urgente!). E, por isso, quando minha mãe achou que chegou a ahora (antes de eu morder meu último pedaço de pizza), eu tentei ser engraçada falando assim: sei que muitos de vocês acham que eu estou grávida, mas antes de engravidar é preciso casar, então eu e Beto nos casaremos em julho! (eu disse "tentei"...)

Todos ficaram muito felizes e nos deram os parabéns. Foram muitos beijos, abraços e felicitações depois de ouvirmos alguns discursos sobre a gente (ficou parecendo aqueles rehearsal dinners de casamento americano). E é um momento como esse que será proposto no dia do nosso casamento, após outro momento muito especial: o do silêncio =)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O pedido


Ele disse sim!! Não... O noivo não... Esse já disse sim há muito tempo! Meu pai disse sim! Sim ao casamento, à festa, ao amor, à Beto... e ficou muito feliz! Só faltou dizer "finalmente"!

Eu fui à sua casa sozinha, sem Beto (isso depois de pensarmos muito na forma... Sozinha? Com Beto? Sem Beto? Só Beto? Com minha mãe presente? Enfim, a conversa foi só entre pai e filha. Como não sabia como começar, simplesmente prendi a respiração e soltei "pai, eu e Beto queremos nos casar!". E a expressão do meu pai foi de pura felicidade! Ah... Que alívio! Mas onde é que eu estava com a cabeça que achei que pudesse ser qualquer outra?

Como eu e Beto moramos juntos há mais de 10 anos (foi um namoro que não aguentou esperar =), ia ser muito esquisito se Beto fosse pedir minha mão em casamento ao meu pai. Acho que ele daria risada. Então eu mesma fui comunicar a nossa vontade e, para que tudo ficasse bem claro, pedir a festa.

Meu pai sugeriu logo Guarajuba. E eu confesso que a 1ª coisa que passou pela minha cabeça, assim que conheci a casa, foi "se um dia eu me casar, essa passarela seria ideal para a minha entrada!" Meu pai chegou a sugerir que Beto chegasse de caiaque! (E depois Beto diz que eu viajo...) Mas a nossa festa já estava toda montada (na minha cabeça) em outro lugar! Expliquei tudo à ele e quis também avisar logo que não será na igreja, não terá padre, mas terá uma cerimônia muito verdadeira e coerente com a gente.

Foi muito engraçado quando, logo após nossa conversa, meu pai me apresentou à minha mãe e à minha irmã (que já sabiam de tudo) como "a mais nova noiva da família" e "a noiva de 2011"! Ele também brincou dizendo que vai marcar um jantar para Beto pedir minha mão formalmente!

E esse jantar será amanhã. Mas a parte de "pedir minha mão" foi de brincadeira, o que fez Beto respirar aliviado! Tão reservado esse noivo... Espero que ele não queira se enviuvar antes do casamento por eu estar escrevendo sobre ele aqui!!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Divorciada e Comprometida

Depois de praticamente 10 anos (o tempo do meu relacionamento com Beto) finalmente o meu divórcio saiu. Esse foi meu melhor presente de Natal e foi muito bom começar o novo ano com isso resolvido.

Precisei casar no civil porque ele era estrangeiro. Até que tentei, mas não deu certo. E quando me dei conta que a única pessoa que estava tentando alguma coisa era eu, pedi que ele voltasse pro Chile. E essa era a única vontade que eu tinha. Nem queria pensar em divórcio. Pra quê? Segundo Ross isso não me afetaria em nada. Só de vez em quando, se eu precisasse preencher algum formulário, eu checaria o quadrinho de casada, ao invés de solteira. E eles ficam bem ao lado um do outro!

Rachel: What-wh-what so we’ll just stay married forever?!

Ross: Okay, look, how is this gonna affect you? Really? I mean you fill some form out once and a while and instead of checking the box that says Ms you check the box that says Mrs.! It’s right next to it!

Rachel: Ohh, okay, I’m sorry. You’re right. Y’know what? We absolutely can stay married, because I was under the impression that the boxes were far away from each other. All right, look, just please, take a moment here and think about what you’re asking of me.

Season 06 Episode 01

Por isso eu não entrei com o pedido de divórcio logo no início. Eu só queria me separar. Mas quando conheci Beto (e quem ainda não ouviu essa história, só vai conhecer depois do nosso casamento =) era importante que eu me divorciasse. Tinha que estar livre para quando ele me pedisse em casamento, não? Hun... Na verdade a gente já começou nosso relacionamento “casados”, então era mais para nós dois sentirmos que estávamos inteiro um com o outro. Mas o meu sobrenome de casada começou a me incomodar muito.

Todo esse processo demorou quase 10 anos. E assim que recebi a notícia e os documentos do divórcio, adivinhem qual foi a primeira coisa que eu fiz? Pedi Beto em casamento! Bem, a gente já tinha trocado alianças e conversado sobre o assunto. Já iríamos nos casar no civil mesmo quando decidimos morar fora. Mas o divórcio não saiu e a viagem não deu muito certo. Então não havia um objetivo concreto para casarmos, já nos sentíamos casados. Mas a celebração e a declaração pública continuavam sendo importantes para mim.

E é nessa fase que estamos: “noivos”. E estamos planejando nosso casamento juntos. Como eu sou assim agoniada, ansiosa... não aguentei e já contei para praticamente todo mundo!! (Literalmente todo o mundo, já que este é um blog aberto =). Fui repreendida, é claro. Mas não contive a emoção e a alegria. Só preciso contar para a pessoa mais importante: meu pai! E perguntar se ele poderá ajudar com a festa. Se não, metade do que planejamos não será possível...

Para minha mãe não foi nenhuma novidade. Ela tratou logo de me dar um livro para ler. A princípio achei a ideia estranha... Será esta uma forma de me persuadir a desistir de casar? Ela também pediu para as minhas irmãs lerem alguma coisa antes de se casarem? Mas levamos o livro para nossa trilha de Ano Novo e começamos a ler juntos.

Comprometida, de Elizabeth Gilbert, é interessante (mas não causa as mesmas emoções de Comer Rezar e Amar). Liz Gilbert entrevista pessoas de diferentes culturas, descrevendo seus casamentos. Conta também a história por trás desta instituição através de suas próprias pesquisas, o que tornou o livro um pouco mais interessante para Beto, que adora história. Engraçado que a tradução do subtítulo “a Skeptic Makes Peace with Marriage” (uma cética faz as pazes com o casamento) ficou “Uma História de Amor”. Mas Liz, de fato, não mais acredita no casamento e se vê obrigada a se casar se quiser continuar a se relacionar com Felipe (por conta da imigração). Isso faz com que ela inicie uma pesquisa para compreender o casamento e tentar fazer as pazes com ele, o que torna sua leitura científica, mas ainda assim, uma declaração de amor.

Além de Liz, estamos lendo muita coisa na internet, conversando com amigos e entre a gente, decidindo, escolhendo, pesquisando... Mas até o momento só sabemos o que não queremos:

1. não queremos padre

2. não queremos igreja

3. não queremos ostentação

4. não queremos docinhos que têm mais enfeites que doce

5. não queremos que ninguém use terno no calor de Salvador

6. também não queremos que ninguém use salto alto, porque vai ser na grama

7. não queremos ninguém na festa que nenhum de nós dois conheça

8. não queremos chuva

9. não queremos sermões

entre outros "não queremos"

Ah... Preciso me lembrar que ainda falta falar com o meu pai para pedir a festa de presente!! Mas enquanto isso vamos planejando... =)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nós nos declaramos marido e mulher

Será mesmo que toda menina quer casar? Que todas elas têm esse sonho de entrar na igreja vestindo branco? Que mesmo aquelas mais rebeldes e diferentes (me chamou?=) no fundo no fundo querem também casar?

Eu quero. Sempre quis. Mas o caminho que eu escolhi para seguir na minha vida foi muito customizado. Como um roupa bacana que você vê na vitrine, mas logo quer colocar algumas rendas e laços, eu enfeitei muito meu caminho... Quis ele bem diferente do caminho dos outros...

Quis ter filho aos 22, ainda na faculdade, quando todo mundo espera chegar perto dos 30 e, com certeza, estar formado. Saí de uma casa rica para morar em um bairro muito humilde, porque era o único aluguel que eu conseguia pagar. Me juntei, me separei, casei em cartório só porque ele era estrangeiro e me juntei de novo, pela terceira vez. E, dessa vez mais madura e cansada de errar, acertei!

E é com ele quem quero ter o casamento que eu não tive. Poderia até ser em igreja, mas aos 36, depois de ter chorado em tantos casamentos, acho que pode ser de outra forma. Não frequentamos igreja, então por que devo me casar em uma? Sou uma pessoa muito simples para ouvir aqueles sermões rebuscados... A cerimônia católica é demorada demais e às vezes o padre fala fala e não se entende nada... Às vezes tudo é muito metafórico e exige-se muita interpretação. Gosto de me sentir à vontade. Gosto da simplicidade. Gosto de saber que Deus está em mim e em cada um de nós. Acho que as pessoas casam na igreja por causa da família de tradição católica ou porque as igrejas são mesmo muito bonitas.

Ah, mas ver a noiva entrar na igreja sempre me emociona. E quanto mais longo o tapete vermelho melhor. E logo em seguida é preciso olhar logo para o noivo para não perder nem um detalhe da emoção dos dois. É como reviver a primeira vez que se viram e sentiram que foram feitos um para o outro. Mas do que é que eu estou falando? Nunca passei por isso!

Então quero. Quero saber como é esta emoção. Nós já nos declaramos marido e mulher há mais de 10 anos. Sinto-me casada. Ele também. Trocamos alianças um com o outro, revivendo a cena de Corpse Bride*, mas, ainda assim, quero compartilhar nosso amor com nossas famílias e amigos. Quero ter um dia para nunca ser esquecido. Quero ter mais esta história pra contar. Quero formalizar (eu, tão informal, posso até entrar em contradição aqui, mas a vida não é cheia de dualidades?) nossa união. Quero que todos sejam testemunhas do nosso amor. Quero declarar publicamente que quero amá-lo até que a morte nos separe. Mas peraê... A morte não separa nada... Então ficaremos para sempre juntos.... até o amor durar =)

*"With this hand, I will lift your sorrows. Your cup will never empty, for I will be your wine. With this candle, I will light your way in darkness. With this ring, I ask you to be mine"