domingo, 19 de fevereiro de 2012

Gravidez aos 36 – Instinto de Aninhar


Já ouviram falar no instinto de aninhar? Na natureza, as fêmeas costumam ficar muito agitadas antes do parto. Tem cadela que corre feito uma louca de um lado para o outro, gata que destrói tudo... Até o momento que sentem que vão parir e então se aquietam.

Algo parecido acontece com a gente. Também preparamos nosso “ninho”. E, muitas vezes, nos comportamos tão loucamente quanto os animais. Esse instinto se intensifica à medida que nos aproximamos da data prevista (mas não é um indicador confiável!). Entretanto, no meu caso, chegou um pouquinho antes (talvez porque eu seja “neurótica” mesmo!).

Há mulheres que limpam cada cantinho do berço com uma escova de dente, outras que arrumam os mantimentos por ordem alfabética, algumas compram muita comida para armazenar ou dobram as roupinhas do bebê que já estavam dobradas! É um comportamento irracional, eu sei, mas tem lá a sua graça.

No meu caso, comecei a “entrar em curto” quando vi que nada estava pronto e eu estava chegando no 6º mês! Racionalmente eu sei que herdamos toda a puericultura pesada da minha irmã (berço completo com o colchão e roupas de cama, trocador, poltrona, banheira com suporte e trocador, cadeira para refeição e para o carro), boa parte da puericultura leve da minha cunhada (bombinha tira-leite, bicos de mamadeiras nunca usados, aquecedor, escorredor e pinças para mamadeiras, protetor de sol para o carro e até mais uma cadeirinha - lembrem-se que tem o carro dos avós e, se tivermos uma cadeira extra, melhor) e ganhamos praticamente todo o enxoval de presente: tia Esther, mãe de Tetem e também avó de Ícaro, trouxe dos States um monte de roupinha (Ícaro tem o que vestir até seus quatro anos!) e a cunhada da minha irmã, que teve mais um paulistinha, já me passou o que não cabe mais neles. Mas o fato de não ver nada disso pronto para uso (sem estar lavado, passado e dobrado) e sem ter onde colocar esses presentes, começou a me deixar preocupada. Queria muito arrumar meu “ninho”, mas não tinha ainda os “galhinhos"!

E compreendam que, no meu caso, são três "galhinhos" importantes: o quarto de Thiago, que se transformará no quarto de Ícaro, o gabinete de Beto, que será o quarto de Thiago e o quartinho dos fundos, que voltará a ser o gabinete de Beto. É um joguinho de xadrez onde é preciso mover a primeira peça. Se não a movermos, Thiago não consegue se mudar e não temos onde colocar os móveis da minha irmã ou os presentes de Ícaro no armário.

E a primeira peça se moveu! A reforma começou semana passada. Já podia ter começado antes, mas veio a greve da polícia. Já podia terminar daqui a cinco dias, mas veio o carnaval. E eu só respirando... Mas a minha cabeça não parava! Até por isso abandonei um pouco o blog, porque a única coisa que eu conseguia escrever eram as listas da reforma. E listas loucas!! Do tipo:

Eletricista: revisar ventiladores, centralizar abajur da sala de jantar, verificar fios do telefone, etc, etc. Eu percorria do chão ao teto todas as paredes do apartamento e listava o que Sr. Antônio devia fazer!!

Pedreiro: tirar azulejos da cozinha e colocar roda-meio. Tem certeza que é só isso??

Compras. Eu listava desde meus objetos de desejo como cadeiras novas e bacanas para a cozinha, até papel de seda para Ali reformar minha luminária japonesa!

Outros: pintar espelho, emoldurar o pôster de El Calafate, lavar cortinas, forrar o sofá, etc, etc. Quando eu não conseguia categorizar, simplesmente colocava tudo em “outros”. Mas eu precisava tirar da minha cabeça!! Cadê a penseira de Dumbledore??

Pintor: pintar todo o apartamento de branco, menos o quarto de Ícaro que será cinza (super diferente, aguardem!), pintar todos os móveis de laca preta, etc, etc. O pior foi listar as opções de espaço para guardar nossas coisas antes dos pintores chegarem: varanda, prateleira vazia do armário de Ana, debaixo do armário do banheiro, metade do guarda-roupa de Thiago, etc, etc. Foi quando me dei por vencida e me mudei para o 1703!! Pois é... Não basta ter uma mãe arquiteta/decoradora/financiadora, ela ainda é extremamente cuidadora e ofereceu seu apto que fica no último andar do nosso prédio! Assim fica bem mais fácil reformar, não?

Mas, mesmo assim, eu ainda tive outro “surto”. Passei horas e horas e horas arrumando todas as roupinhas, mantinhas, lençóis e toalhas que Ícaro ganhou, dobrando por tipo e tamanho, listando, contando, guardando... E depois que eu terminei (??), a grande pergunta: e agora?

O que faço com toda essa informação? O que é culote? Isso é mesmo um cueiro? Será que essas roupas vão dar em Ícaro? Terei de comprar mais alguma coisa ou espero ele nascer para saber seu tamanho? Tenho as quantidades certas de macacões curtos e compridos com e sem pés????

Acho que fui vencida pelo cansaço, porque antes que eu começasse a checar cada lista de enxoval que eu peguei nas lojas de bebês para descobrir o que ainda estava faltando, eu me forcei a dormir! E, com certeza, devo ter sonhado com elas.

P.S.s

Vocês devem ter notado que a reforma do apartamento vai muito além de dar um quarto para o irmão mais velho liberar o dele para o mais novo. Nosso ninho está sendo construído com galhinhos bem diferentes e eu estou adorando (apesar do estresse)!!

Minha mãe/arquiteta/decoradora/financiadora/cuidadora é também muito detalhista e perfeccionista. Além de cuidar da reforma desde o planejamento do projeto até a sua execução, ela também está cuidando do enxoval, escolhendo cada tecido que vai decorar os lençóis, toalhas e cortina (e também o forro novo do sofá!). E, para mim, que tudo é para ontem (menos a minha gestação), está sendo um bom trabalho de respiração e paciência. Já posso considerar como treino para o parto =)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Gravidez aos 36 - Visita à Maternidade


Recentemente consegui cortar mais um item da minha lista: visitar a maternidade onde Ícaro irá nascer - a Maternidade Santamaria do Hospital Português.

A escolha do Hospital foi simples: foi meu médico quem sugeriu =). Eu acredito que os pais devem escolher um médico que compartilhe suas crenças sobre o parto e, uma vez escolhido, cabe a ele escolher o Hospital. Porque quem sou eu para dizer qual o melhor? As pessoas falam bem e mal de um mesmo hospital, cada uma com sua experiência. Mas é o médico quem precisa sentir-se à vontade com a equipe e, se existe uma relação de confiança, quero que a decisão seja dele (e do meu plano de saúde, é claro).

Então o meu médico sugeriu o Português ou o Aliança, mas quando ele descreveu a sala de trabalho de parto com banheira e bola de Pilates para aliviar as dores das contrações da Maternidade Santamaria (Hospital Português), eu fiz a minha escolha =)

Esta foi uma visita importante. Primeiro porque traçamos a nossa rota casa–maternidade e escolhemos o melhor caminho (se é que eu vou estar em casa no dia...). Quer dizer, poderíamos ter escolhido se Beto não tivesse confundido o Hospital Português (Av. Princesa Isabel) com o Espanhol (Av. Sete de Setembro)!! E eu passei o caminho todo sugerindo uma rota mais curta e sem entender as opções que ele fazia... Estão vendo como esta visita é importante???

E depois porque ficamos mais familiarizados com as instalações e já sabemos para onde devemos nos dirigir no dia. Conhecemos o quarto onde ficarei me recuperando (achei o do H. Aliança mais aconchegante e o sofá do acompanhante maior, mas... tem outras coisas mais importantes), o berçário, a sala do parto cirúrgico (a do parto normal infelizmente não deu para ver... e eu estava ansiosa por isso, mas já haviam me avisado que eles não mostram, mas só queria dar uma espiadinha, não precisava entrar...) e o lugar que Beto mais gostou: o terraço. E não foi por causa da vista maravilhosa do mar, mas porque a enfermeira Eliene (gostei dela, espero que esteja de plantão no dia em que Ícaro resolver nascer), disse que ele podia trazer cerveja para comemorar com os amigos lá em cima =)

Agora só precisamos voltar em março para fazer o curso sobre o parto e cuidados com o recém-nascido (são duas manhãs), pois já nos informamos sobre o que trazer no dia, onde estacionar e o que precisa para o internamento (check, check, check!!!).