segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Parto Cirúrgico Eletivo e o Amor


Escrevi um post falando sobre o Parto Responsável, no qual eu dizia que o meu parto não será normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem cirúrgico... Será responsável! E a principal responsável por ele é a mãe. Afinal de contas, as escolhas são feitas por ela, desde o médico até a opção de manter-se bem informada. E, tendo acesso a informações confiáveis, de fontes seguras como os livros, por que, muitas dessas mães, ainda fazem a opção por um parto cirúrgico eletivo?

A cesariana é uma cirurgia 
segura, mas de grande porte. Ela deveria ser feita apenas por indicação médica, quando há algum tipo de risco para a mãe ou para o bebê. Ela serve para salvar vida e não para salvar tempo! Mas há uma predisposição para a cesárea  no Brasil. E o índice é tão alto que uma amiga foi pedir para fazer cesárea na Alemanha e ouviu da parteira "você está achando que isso aqui é Brasil ou Hollywood?".

Sabemos que o valor do plano de saúde não compensa, que os médicos ganham mais em um dia de consultório do que em um parto normal e que, por isso, os planos não têm interesse na gestante de parto normal. Então o “parto passou a ser um ato cirúrgico ao invés de um evento fisiológico”.

Entretanto, o trabalho de parto é algo fundamental para o nascimento. Existe toda uma preparação do corpo da mulher desde a 1ª semana de gestação. Nosso quadril vai se alargando aos pouquinhos, nossas articulações tornam-se muito mais flexíveis e, já no final, a ocitocina é liberada, as contrações começam, o colo do útero dilata... e ainda temos a endorfina como anestésico natural que alivia um pouco o desconforto dessas contrações! Sem falar na própria passagem do bebê pelo canal vaginal que faz com que ele seja massageado, o que ativa o seu sistema nervoso! Não é lindo?

O parto normal também é mais seguro, “é artesanal" e não uma "produção em série"  em que “o ator principal do parto tornou-se o médico, o homem; o produto deste nascimento é o bebê e a mulher é o subproduto secundário.” E, para manter este modelo obstétrico atual, foi necessário construir a idéia de que a mulher é mesmo este subproduto secundário, incompetente e incapaz de dar conta do processo do nascimento por si mesma.

Mas toda mulher sabe parir, toda criança sabe nascer e cada parto é único! O que eu menciono entre aspas foi tirado do trailer promocional do filme Birth Reborn - O Renascimento do Parto que eu não vejo a hora de assistir! Uma das partes mais interessantes e que mais chamou a minha atenção foi quando um dos entrevistados comenta: “nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira às quatro da tarde? E, se combinamos, ele respondeu pra gente que ele tem condições de nascer?”.

Eu, por exemplo, estou há duas semanas esperando por Ícaro =) Entre uma brincadeira e outra de que ele estava esperando nossa festinha passar, a minha mãe voltar de viagem e parece que agora ele espera o trabalho do pai (em uma cidade vizinha) terminar, estou tendo as contrações do pré-trabalho de parto, ele já encaixou e desencaixou, recebo telefonemas de amigos e parentes ansiosos, curiosos e preocupados e eu vou lidando com a minha ansiedade, curiosidade e preocupação também. Ícaro pode chegar até 05/06 naturalmente, então, qualquer dia é dia =) Parto natural é o meu maior desejo e esse momento de "será que é hoje?" é a parte mais divertida dessa história toda! Mas, sendo responsável, preciso também estar aberta para alguma intervenção cirúrgica caso haja indicação médica.

Por que tanto tempo de espera? Bem, estou dentro do limite de 38 a 42 semanas - estou na 39ª, mas ainda não se sabe o que dá início ao nascimento. Há muitas teorias. Uma delas diz que a mãe libera a ocitocina quando o bebê está completamente desenvolvido e pronto para nascer. A ocitocina é conhecida como o hormônio do amor e é responsável pelas contrações. Os cientistas já conseguiram sintetizá-la e a usam para induzir o trabalho de parto. Infelizmente, como a cesárea, ela é usada rotineiramente e não apenas quando há uma real necessidade para evitar a cirurgia.

Há outra corrente, que eu acho mais interessante, que diz que não é o corpo da mãe o responsável por dar início, mas, sim, o próprio bebê que manda um sinal de que seus pulmões já estão prontos. O fato é que quando o bebê está pronto ele dá o sinal e as contrações começam! E o que é responsável por essas contrações? O amor!! E quando as mulheres passam a agendar seus partos, antes mesmo de sentirem as contrações, escolhendo data, hora e signo dos seus filhos, a ocitocina, o hormônio do amor, responsável pelas contrações, deixa de ser utilizado! E aqui termino com uma pergunta do filme para que todos possam refletir: 
“E o que significa isso a nível de civilização?” 

Livro que eu recomendo para quem quer se aprofundar no assunto: 
Parto normal ou cesárea? de SimoneGrilo Diniz e Ana Cristina Duarte da Editora Unesp.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – As visitas


Nascimento é sempre uma festa! A família e os amigos parecem estar mais ansiosos que a mãe para conhecer o bebê. Estou na 39ª semana, em casa, tendo contrações de Braxton Hicks desde a 37ª, já passei por um falso trabalho de parto e, agora, procuro descansar bastante, dormir cedo, porque, há quase duas semanas, qualquer hora é hora.

Muitas pessoas me ligam para saber como eu estou. Beto está trabalhando em uma cidade a um pouco mais de uma hora de Salvador, me liga todo dia e está pronto para jogar tudo pra cima e vir correndo sem nem passar no hotel. Minha mãe pede que eu, assim que acorde, ligue para ela para dizer como passei à noite. Isso porque ela tem receio de me ligar e terminar me acordando, o que já aconteceu. Minha avó interfona e desce para me ver quase todo dia. Minha irmã está com o celular sempre ligado. Essa forma de carinho é importante e muito bem-vinda, mas a minha resposta é quase sempre a mesma: estamos bem, estou tendo contrações esporádicas e Ícaro pode nascer a qualquer momento. 

Então, a qualquer momento, Ícaro irá receber suas primeiras visitas. O que, além do telefonema de Tetem (prima-irmã de Beto e mãe de dois), me inspirou para escrever sobre um assunto importante: as visitas.

Sobre o fato de ser melhor visitar na maternidade ou em casa, prefiro que vocês leiam o Blog Mãe para Mães, mas quero adiantar alguns pontos:

É natural que todos queiram festejar.  Muitas visitas e muita festa fazem parte da celebração desta nova vida, mas é preciso ficar atento ao barulho e à quantidade de pessoas, para que não comprometam a interação dos pais com o bebê. Afinal, os pais estão em fase de adaptação e necessitam de tranquilidade.

A mãe também deve estar “atenta para que nada prejudique sua disposição e seu humor em amamentar e cuidar do bebê. Se perceber que algo está atrapalhando o andamento de suas atividades com o seu filho ou que seus sentimentos estão se modificando - por exemplo, tornando-se mais instáveis do que gostaria -, a mãe deve pedir ajuda ao seu companheiro ou a outra pessoa em quem confie.” (Filhos: da gravidez aos dois anos de idade, Sociedade Brasileira de Pediatria).

O ideal é que as visitas (1) levem em consideração os horários da maternidade ou liguem para saber qual o melhor horário para visitar em casa, sendo que o ideal é esperar passar o 1º mês, (2) evitem aparecer se estiverem doentes (o bebê tem imunidade zero!), (3) evitem tocar no bebê, mas, se o fizerem, tocar apenas na cabeça e nos pés (e NUNCA nas mãos e no rosto), (4) lavem bem as mãos com água e sabão e passem álcool-gel a 70% (os pais têm esse mesmo cuidado, porque as visitas não teriam?) e (5) sejam breves, pois os pais estão criando vínculo com o bebê, a mãe está entrando em sintonia com a amamentação e talvez ainda esteja sentindo as dores do pós-parto.

Tomando essas cuidados, todas as visitas são muito bem-vindas, porque, afinal, estaremos celebrando um amor que se tornou visível e a presença de pessoas queridas só faz contribuir para mais amor!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – Sonhos na Gestação


Acabo de sonhar que eu e Beto estávamos viajando, Beto carregava um monte de coisas, entre elas um tubo e um cano com uma faca na ponta. O lugar, que parecia ser um aeroporto, estava bem cheio. Passávamos pelas pessoas e eu me preocupava com a faca, para que não machucasse ninguém (1). Queríamos comprar ou pagar um livro (2). Depois que fizemos isso eu lhe disse que precisava ir ao banheiro antes de embarcar (3). Havia outras pessoas com a gente. Andamos muito procurando por um banheiro, pegando caminho errado, elevador sem funcionar, o lugar era um pouco escuro, como se estivesse ainda em reforma (4). Uma das pessoas perguntou “para quando é o bebê?” (5). Beto respondeu “para sexta”. Daí a pessoa comentou “Ah, vai ser cesárea?” No que eu, impacientemente, respondi (6) “Não... Sexta-feira é só um palpite...” (7).

Minhas interpretações:
(1) Meu medo de fazer cirurgia;
(2) Minha preocupação em estar preparada e lembrar de tudo que li;
(3) De fato acordei desse sonho para ir ao banheiro, porque dormi tarde e não levantei nenhuma vez durante a noite, ao contrário de todas as outras que levanto três ou quatro vezes;
(4) A reforma do meu apartamento, que ficou pronto recentemente, incluindo o quarto e o enxoval de Ícaro, que me deixava sempre em dúvida se ficaria tudo pronto à tempo;
(5) Perguntas frequentes do último mês, feitas por qualquer pessoa, principalmente por quem você não conhece: “para quando é o bebê?”, “Parto normal ou cesárea?” e “É menino ou menina?”, sendo que, esta última, acompanha você a gestação inteira.
(6) Meu desejo de ter parto normal e o fato de eu ser contra o parto cirúrgico eletivo.
(7) Sexta-feira, 18/05, é palpite de meu amigo Ban (que me disse, "do nada", que Ícaro nasceria hoje ou amanhã) e de meu primo Rico, mas só porque é seu aniversário. E Beto chegou a comentar, por causa do seu trabalho, que sexta era o melhor dia da semana, porque ele já teria colocado o sistema para funcionar.

Sempre gostei muito de sonhos (me apaixonei pelo filme “A Origem”!). Costumo anotá-los (durmo com um  caderno ao meu lado) e levá-los para terapia quando é muito mais fácil interpretá-los. Esse eu achei claro. Mas tem detalhes que eu sei que minha terapeuta iria me ajudar a desvendar mais facilmente, porque ela sempre faz as perguntinhas certas =) Vale lembrar que por mais que você sonhe com outras pessoas, o sonho é sempre seu, são partes suas e eles servem para manter nossa mente mais saudável, porque nos ajudam a solucionar nossas preocupações e medos e a lidar com a ansiedade, no meu caso, da maternidade.

Segundo Murkoff, os sonhos mais comuns manifestados durante a gestação são sobre:
Lapsos ou descuidos = receio de não estar à altura da maternidade que se aproxima;
Perigos iminentes = vulnerabilidade;
Pedidos de socorro quando presa sem chance de escapar = medo de se ver privada da liberdade pela vinda do bebê;
Negligência ao sair da dieta = adaptação à dieta rigorosa;
Aspecto físico = medo de que a gravidez destrua sua aparência para sempre e a afaste do marido;
Sexualidade = confusão e ambivalência sexual experimentada durante a gestação;
Lembranças do passado = união das velhas e novas gerações;
Vida familiar com o novo bebê = surgimento do vínculo mãe/pai e filho antes do nascimento;
Como o bebê será = ampla variedade de preocupações (saúde, inteligência, sexo, cor dos olhos e do cabelo)
Trabalho de parto = medo de se passar pelo trabalho de parto.

A minha sugestão é prestar mais atenção aos sonhos desse período para saber o que eles dizem sobre os seus sentimentos. Lide com eles agora e faça uma transição mais tranquila da fantasia dos sonhos para a realidade da chegada do bebê =)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Parto Responsável


O meu primeiro parto foi há 15 anos. Tinha 22 anos, muita vontade de ser mãe e encontrei um médico que acreditava que não eram necessárias analgesia (diminuição da dor) ou anestesia (eliminação da dor). Como eu tinha muito medo do tamanho da agulha da epidural, tranquilamente optei pelo parto natural, ou puro, o que significa sem drogas ou intervenções tecnológicas.

Relendo minha Agenda da Gravidez encontrei relatos do tipo:

  • “O parto foi como eu esperava. Estava tão curiosa para saber como seria. Exigiu muito de mim. Eu estava concentradíssima e muito séria. Até me preocupei se eu fazia alguma cara mal-humorada num momento tão lindo...”;
  • “O meu parto foi demais! Correspondeu às minhas expectativas. Só faltou a musiquinha de fundo, mas acho que terminou nem fazendo falta”;
  • “Fiquei exausta com tanta abdominal”;
  • “Minhas contrações ficaram espaçadas e meu médico recomendou o soro*. Eu não quis e dei tudo de mim para Thiaguinho nascer. Cheguei a dizer ‘peraê que ele vai nascer agora’”;
  • “Não tinha idéia da sensação forte (para não chamar ‘dor’) e nem da força que meus braços teriam que exercer”;
  • “Eu amei o nascimento de Thiago. Pareceu cenas de filme. Sensações muito fortes. Flashbacks”.
* o que hoje eu sei que era a ocitocina

Tudo isso me faz acreditar que a experiência foi ótima. Mas o que as pessoas relatam é que eu gritei muito, que espantei todo mundo do hospital, que eu sofri e que depois do meu parto perderam a coragem de ter filho! Saber disso mexeu um pouco comigo. Me deixou com medo de tentar um parto natural novamente e eu continuava com medo da epidural. Não só da agulha, mas da consequência de perder o controle do que está acontecendo comigo e com meu filho e de não conseguir participar ativamente. E só agora soube (acho que não li o suficiente aos 22 anos) que esses anestésicos e analgésicos vão para o bebê e que ele pode nascer sob o efeito dessas drogas!

Não quero provar nada a ninguém (será que quero provar a mim mesma?) e estou aberta a experimentar algum analgésico que diminua a dor, mas que me permita participar ativamente de todo o processo do trabalho de parto. Sei que é difícil encontrar a dosagem certa, que cada pessoa reage de uma forma, que a analgesia/anestesia dada na hora errada pode prejudicar o trabalho de parto, etc. Mas também sei que se a mãe estiver muito cansada ou com muita dor pode também desacelerar o processo.

Agora é confiar em meu médico e na equipe do hospital, sabendo que é melhor um parto vaginal com essas intervenções do que partir para uma cirurgia. Acontece que eu também preciso estar preparada para esta possibilidade. Por mais saudável que a minha gravidez esteja sendo, existem fatores de risco que nem o meu médico nem o hospital querem correr. Estou na 38ª semana e Ícaro está com 3,601 kg, 50,03 cm e 9,49 de diâmetro biparietal. Segundo procedimentos do meu médico, o parto vaginal acontece até 3,800 kg e com 9,5 cm de DBP. Claro que a USG tem suas margens de erro e ele irá tentar o parto vaginal antes de partir logo para uma cirurgia.

Não preciso rotular meu parto, apenas focar na experiência que vou ter e em todo o seu significado. Nem normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem cirúrgico... O meu parto será responsável! O que significa que eu fiz meu dever de casa, estudei as opções, fiz meu plano de parto baseado na filosofia de nascimento na qual acredito, escolhi a maternidade e meu médico com muito critério, li muitos livros e discuti suas informações, participei de cursos, exercitei meu corpo, etc. E, independentemente do nascimento de Ícaro ocorrer ou não de acordo com meus planos e desejos, irei entrar na sala de parto (de preferência na sala PPP da Maternidade Santamaria =) com todas essas ferramentas e poderei chamar o meu parto do que eu quiser e me sentir bem com relação a isso!

Post inspirado no livro The Pregancy Book by William and Martha Sears.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Falso Trabalho de Parto


Segunda, passei a noite toda praticamente acordada. Não sabia se eram cólicas intestinais, contrações de Braxton Hicks (falsas contrações) ou as verdadeiras. Beto estava trabalhando em seu gabinete, do outro lado do nosso apartamento e eu não conseguia nem levantar para falar com ele (só ligando, porque eu também não ia gritar). E também não sabia o que ia dizer... Estava, de fato, MUITO confusa. Ou com medo! Não me sentia nem um pouco preparada para entrar em trabalho de parto esta noite. Ainda mais depois que recebi mais roupinhas de cama, um moisés lindo, um gaveteiro muito bacana e estava planejando pegar o enxoval no dia seguinte! Pois é... Foi exatamente o que escrevi no post É preciso estudar!: “nunca estaremos 100% preparados para a chegada do nosso bebê”.

Em um dos livros dos Sears, não lembro se foi The Pregnancy Book ou The Baby Book, ele comenta sobre uma de suas pacientes famosas que passou por muitas dificuldades durante a amamentação, mas que, durante uma entrevista, relatou que foi tudo muito fácil. Dr. Sears gostaria que ela tivesse compartilhado a verdade, para que outras mães soubessem que todo mundo passa por dificuldades, insegurança e medo. Às vezes me pergunto se o parto de Gisele Bündchen (parto natural, dentro da banheira de casa e sem anestesia) foi tão perfeito assim como ela descreveu (consciente, presente, tranquilo, nem um pouco dolorido).

Então, apesar de não ser nenhuma celebridade, sei que tem muitas mães lendo o meu blog e não me envergonho de dizer: fiquei com medo, sim. E confusa!

Lembro que com Thiago, meu primeiro filho, senti contrações de manhã (quem sabe não senti durante à noite, mas estava dormindo profundamente?), fiquei um pouco na dúvida, só sabia que sentia algo diferente e decidi ligar para o meu médico que me mandou ir direto para o hospital. Ele nasceu 4 horas depois e eu estava na 39ª semana. Para quem não sabe, os bebês a termo nascem entre a 37ª e a 41ª semana e 6 dias. Com Ícaro estava tranquila, porque não senti nada durante toda a minha gravidez, nem inchaço, nem dores lombares, só dorzinhas no assoalho pélvico e no cóccix que eu sabia que era o corpo se preparando desde muito cedo para o grande dia. Por isso, tinha certeza, que quando sentisse algo diferente, ou mais forte, seriam as verdadeiras contrações do trabalho de parto.

E eu senti algo diferente, forte, que eu não conseguia distinguir quando começava nem quando terminava. Baixei até um free app no meu iPhone que é muito legal. Chama-se Contraction Monitor. Você marca quando cada contração começa e termina e descreve a intensidade da dor. E ele gera histórico, resumo, gráfico, tira foto da tela, envia por e-mail, acessa seus contatos para aquelas ligações importantes, etc. O problema é que eu não conseguia marcar o início nem o fim do que eu sentia. Aliás, nem sabia se eram mesmo as contrações! Cheguei a pesquisar em alguns livros a diferença entre o falso trabalho de parto e o verdadeiro. Isso às 3 da manhã!! Mas, por via das dúvidas, carreguei as pilhas da máquina, coloquei o que faltava na minha mala da maternidade e fui tomar banho. Ainda lembrei de um item importante que deve fazer parte da listinha da mala da maternidade que eu não adicionei: a roupa da ida para a maternidade!! Só falam da roupa da saída da maternidade do bebê, o que não faz nenhum sentido para mim, já que eles saem todos enrolados em mantas... Mas e a nossa roupa para ir para a maternidade?  Não dá para perder tempo escolhendo e também não dá para pegar qualquer uma. Enfim, voltando para o meu drama...

Depois do meu banho, Beto continuava trabalhando e eu me revirando na cama. Não fazia sentido chamá-lo. Estava com medo dele surtar: “como você não sabe o que está sentindo?”, “já não passou por isso?” “pra que serviu tantos livros?”, “não está muito cedo?”, “ a data prevista não é 28?”, etc, etc. Mas era tudo paranóia da minha cabeça. Quando Beto terminou de trabalhar, lá pelas 3 da manhã (é na madrugada que ele produz mais), conversei com ele que se mostrou preocupado, atento e disse para eu ligar para nosso médico de manhã. E foi o que eu fiz.

E assim que eu descrevi minha noite, ele pediu para me ver. Fui ao consultório e ele confirmou que eram as contrações do falso trabalho de parto ou de Braxton Hicks (médico obstetra do século XIX que descobriu essas contrações), pois o colo do útero estava intacto (ele fez o primeiro exame de toque). Confesso que foi um misto de frustração e alívio =) Mas disse que acredita que Ícaro deva nascer no Dia das Mães! Neste domingo! Pois ele já está encaixadíssimo com 3.453kg e 50.03cm!! Seria o iniciozinho da minha 38ª semana. Disse que ele sempre faz parto no Dia das Mães e que o desse ano deve ser o meu. Será??

obs.: "O trabalho de parto verdadeiro provavelmente não terá começado se: as contrações não forem regulares e não aumentarem em frequencia e em intensidade, as contrações cederem se a gestante caminhar ou mudar de posição, os movimentos fetais se intensificam brevemente com as contrações. (Avise o médico imediatamente se essa atividade se tornar frenética.)" (MURKOFF, 2010).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Último Mês


Meu último mês começou há dois meses! É que todo mundo comentava que a minha barriga estava enorme, perguntava se já era pra agora, dizia que ‘tava perto, etc. Mas meu último mês é maio mesmo! Mês das mães =) A não ser que Ícaro seja preguiçosinho ou esteja muito confortável aí dentro, ele pode deixar pra vir até 04 de junho. Louco por isso está o pai, porque seu aniversário é dia 03.

Mas vir depois da data prevista só serve para aumentar nossas preocupações com o monitoramento fetal cada vez mais constante, já que o líquido amniótico começa a secar, para Ícaro ganhar peso e para aumentar o risco do uso da ocitocina para induzir o trabalho de parto ou de fazer uma cesárea. Por isso eu torço para ele nascer na 39ª semana, de 20 à 26/05, sendo que meu palpite é dia 22.

Só que com a possibilidade de Beto trabalhar no interior, talvez seja melhor Ícaro chegar na 40ª semana mesmo. Na semana da sua data prevista, 28/05. Mas é ele quem sabe... E essa é a parte mais divertida de toda a gravidez =)

O interessante desse último mês é que parece que ninguém aguenta mais te ver grávida ou, se for parente ou amigo, estão muito ansiosos para conhecer Ícaro e já nem querem mais saber de você! Por isso o índice de depressão pós-parto é alto. Você passa de super-hiper-mega paparicada para super-hiper-mega ignorada! Tudo passa a girar em torno do bebê. Mas não se preocupem, estou super-hiper-mega consciente disso e a depressão pós-parto* vai passar longe =)

Para vocês terem uma idéia do que eu estou falando, hoje, ao chegar no meu Pilates, ao invés de “Bom dia, Karina”, a recepcionista exclamou: “Ainda!?”. E eu disse: “Bom dia pra você também”. Brincadeirinha... Eu me divirto com as coisas que ouço...

E minha avó, que mora no andar de cima? Ontem, ao chegar em casa, ela percebeu que todas as luzes do meu apartamento estavam apagadas. O que vocês acham que ela pensou? Pois bem, estávamos indo para uma festinha de aniversário quando minha tia me liga para perguntar se estava tudo bem, porque minha avó pensou que eu já tivesse ido para a maternidade. Não satisfeita, mais tarde, ela ainda desceu para confirmar se eu estava bem mesmo (ou se estava escondendo Ícaro em algum lugar??).

Eu só tenho que achar graça e ser grata a tantas preocupações e cuidados. Minha mãe, que já havia programado uma viagem para este mês de maio, antes de saber que eu estava grávida, ligou para todas as cunhadas e deixou todos os meus parentes de plantão! Recebi várias ligações de apoio das minhas mães substitutas que me fizeram me sentir muito querida =) Mas, por causa de tudo isso, eu passei a atender o telefone assim: “Oi! Ainda não nasceu não, viu?”.

* A depressão pós-parto é assunto sério. Ela não é somente causada pelo estado emocional, mas também pelas mudanças hormonais (os níveis de estrogênio e progesterona declinam precipitadamente depois do parto). Mas por que nem todas as mulheres passam por isso? Provavelmente pela mesma razão que nem todas tem TPM. Geralmente ela se manifesta na 1ª semana após o parto. Fique atenta aos sinais e peça ajuda. Também é bom observar se o marido não está sofrendo. É sério! A depressão pós-parto está se tornando muito comum entre os novos papais: “Muitos dos fatores que desencadeiam a melancolia nas mães também afetam os pais, embora de forma diferenciada - eles podem sentir-se paralisados e despreparados, incrivelmente exaustos e muito preocupados com as mudanças na dinâmica familiar e no estilo de vida. Até os hormônios são afetados.” (MURKOFF, 2010).