quarta-feira, 16 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Parto Responsável


O meu primeiro parto foi há 15 anos. Tinha 22 anos, muita vontade de ser mãe e encontrei um médico que acreditava que não eram necessárias analgesia (diminuição da dor) ou anestesia (eliminação da dor). Como eu tinha muito medo do tamanho da agulha da epidural, tranquilamente optei pelo parto natural, ou puro, o que significa sem drogas ou intervenções tecnológicas.

Relendo minha Agenda da Gravidez encontrei relatos do tipo:

  • “O parto foi como eu esperava. Estava tão curiosa para saber como seria. Exigiu muito de mim. Eu estava concentradíssima e muito séria. Até me preocupei se eu fazia alguma cara mal-humorada num momento tão lindo...”;
  • “O meu parto foi demais! Correspondeu às minhas expectativas. Só faltou a musiquinha de fundo, mas acho que terminou nem fazendo falta”;
  • “Fiquei exausta com tanta abdominal”;
  • “Minhas contrações ficaram espaçadas e meu médico recomendou o soro*. Eu não quis e dei tudo de mim para Thiaguinho nascer. Cheguei a dizer ‘peraê que ele vai nascer agora’”;
  • “Não tinha idéia da sensação forte (para não chamar ‘dor’) e nem da força que meus braços teriam que exercer”;
  • “Eu amei o nascimento de Thiago. Pareceu cenas de filme. Sensações muito fortes. Flashbacks”.
* o que hoje eu sei que era a ocitocina

Tudo isso me faz acreditar que a experiência foi ótima. Mas o que as pessoas relatam é que eu gritei muito, que espantei todo mundo do hospital, que eu sofri e que depois do meu parto perderam a coragem de ter filho! Saber disso mexeu um pouco comigo. Me deixou com medo de tentar um parto natural novamente e eu continuava com medo da epidural. Não só da agulha, mas da consequência de perder o controle do que está acontecendo comigo e com meu filho e de não conseguir participar ativamente. E só agora soube (acho que não li o suficiente aos 22 anos) que esses anestésicos e analgésicos vão para o bebê e que ele pode nascer sob o efeito dessas drogas!

Não quero provar nada a ninguém (será que quero provar a mim mesma?) e estou aberta a experimentar algum analgésico que diminua a dor, mas que me permita participar ativamente de todo o processo do trabalho de parto. Sei que é difícil encontrar a dosagem certa, que cada pessoa reage de uma forma, que a analgesia/anestesia dada na hora errada pode prejudicar o trabalho de parto, etc. Mas também sei que se a mãe estiver muito cansada ou com muita dor pode também desacelerar o processo.

Agora é confiar em meu médico e na equipe do hospital, sabendo que é melhor um parto vaginal com essas intervenções do que partir para uma cirurgia. Acontece que eu também preciso estar preparada para esta possibilidade. Por mais saudável que a minha gravidez esteja sendo, existem fatores de risco que nem o meu médico nem o hospital querem correr. Estou na 38ª semana e Ícaro está com 3,601 kg, 50,03 cm e 9,49 de diâmetro biparietal. Segundo procedimentos do meu médico, o parto vaginal acontece até 3,800 kg e com 9,5 cm de DBP. Claro que a USG tem suas margens de erro e ele irá tentar o parto vaginal antes de partir logo para uma cirurgia.

Não preciso rotular meu parto, apenas focar na experiência que vou ter e em todo o seu significado. Nem normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem cirúrgico... O meu parto será responsável! O que significa que eu fiz meu dever de casa, estudei as opções, fiz meu plano de parto baseado na filosofia de nascimento na qual acredito, escolhi a maternidade e meu médico com muito critério, li muitos livros e discuti suas informações, participei de cursos, exercitei meu corpo, etc. E, independentemente do nascimento de Ícaro ocorrer ou não de acordo com meus planos e desejos, irei entrar na sala de parto (de preferência na sala PPP da Maternidade Santamaria =) com todas essas ferramentas e poderei chamar o meu parto do que eu quiser e me sentir bem com relação a isso!

Post inspirado no livro The Pregancy Book by William and Martha Sears.

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