terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mãe de 2ª Viagem – O Pós Parto


Li muito durante toda a minha gestação. “O Que esperar quando você está esperando” foi o meu Google. Este livro, “recomendado” por Rachel Green =), tinha resposta para praticamente todas as minhas perguntas! Estudei mais do que na minha pós- graduação, mas teve uma "matéria" que eu passei arrastada: cesariana.

O capítulo do livro que abordava este assunto foi lido muito rapidamente. Não reli ou revisei, muito menos sublinhei e não participei de nenhum fórum na internet! Quando soube que faria cesárea, além do choro, medo, insônia... Não pensei em mais nada. Recebi a notícia de um dia pro outro e só quis saber se me dariam Ícaro para eu amamentar.

Sabe o que é mais estranho? É que eu me senti sozinha... As pessoas me ligavam todo dia para perguntar se Ícaro já havia nascido (como se fosse fácil esconder um acontecimento como esse). Todo mundo estava tão ansioso para conhece-lo que não importava a forma! “Que bobagem que vai ser cesárea! Fique feliz que ele vai nascer!” Não cheguei  a ouvir exatamente essas palavras, mas algo muito parecido. Mas, mesmo sem ouvir, era essa a sensação que as pessoas me passavam.

Se a minha terapia fosse em casa, estaria tentando responder a pergunta “que parte de mim queria a cesárea?” (a minha linha terapêutica nos faz assumir responsabilidade por TUDO aquilo que nos acontece). Cansei de responder “ainda não” quando me ligavam perguntando? Me fiz vítima da nossa sociedade cesarista? Tive medo do meu poder de parir sozinha aos 37 e repetir o feito dos meus 22? Não quis assustar ninguém com os gritos que nem lembro que dei? Tive medo de Beto não chegar a tempo de entrar na sala de parto comigo ou de não conseguir me ajudar a aliviar a dor? Não confiei na humanização do parto da maternidade que escolhi? “Sim” para todas as perguntas. E se eu tivesse tempo, mas estou com um bebezinho que está tomando leite materno exclusivo e em livre demanda=), pensaria em muitas outras para as quais também diria “sim”.

Quanto à humanização do parto, eu tinha mais era que ter medo mesmo! Por mais que meu médico tivesse sido muito amoroso comigo, Ícaro não teve a mesma sorte. Ele foi virado e revirado e passou por quase todos os procedimentos hospitalares, muitas vezes, ultrapassados. São intervenções de rotina que não levam em consideração a individualidade de cada bebê e que, muitas vezes, são desnecessárias! O colírio, por exemplo, só é indicado para bebês que nascem de parto vaginal cuja mãe seja portadora de gonorreia!! E o banho no berçário? Tenho vontade de chorar quando vejo as fotos...

Achei esquisito não poder recebe-lo imediatamente em meus braços, com sangue e tudo! Mas estava com soro de um lado e sendo monitorada do outro (braços presos como numa cruz =(. A enfermeira simplesmente o colocou para mamar (se é que podemos chamar “sugar durante alguns segundos” de mamar!!!) e tirar umas fotinhas perto do meu rosto. Queria poder tocá-lo e só fiz isso umas cinco horas depois!!!! Sem falar que, quando o trouxeram para meu quarto, disseram para aguardar a enfermeira que me ajudaria com a amamentação. Só que essa enfermeira não chegava nunca e eu, abestalhada, achando que Ícaro fosse “de quebrar”, obedeci e fiquei só lhe olhando... Até que ele chorou e eu não aguentei mais esperar e pedi para minha mãe coloca-lo em meus braços!!

Esquisito também foi ficar sozinha depois que todo mundo saiu da sala de cirurgia. As enfermeiras, no maior bate-papo, não me deram nem “oi”. E eu ali, sem sentir nada da cintura pra baixo... Agora foi a minha vez de ser virada e revirada pra ser levada de volta pro quarto. Me lembrei do filme O Renascimento do Parto: vocês podem fazer isso todos os dias, mas eu nunca fiz! E que agonia! Uma sensação que iam me derrubar a qualquer momento!

Mas depois que finalmente consegui pegar Ícaro em meus braços e dar de mamar, tudo é esquecido. Esqueci até que fiz cesárea e me abaixei! Não falei que “passei arrastada?”. Não sabia os do’s e don’t’s de um parto cirúrgico. Sorte que a minha preparação para o parto natural, de certa forma, me ajudou. No primeiro dia, ainda sob o efeito da anestesia, estava me sentindo muito bem. Mas no segundo... estava péssima!! E até hoje, três meses depois, ainda sinto um certo incômodo na área do corte. Ás vezes esqueço que foram sete camadas e uma cirurgia de médio porte. Ah... Nada se compara ao pós-parto natural!

domingo, 19 de agosto de 2012

Mãe de 2ª Viagem – Minha 1ª Cirurgia


Para quem nunca arrancou os cisos e a única anestesia conhecida era Emla para uma depilação definitiva, é natural que eu morresse de medo de uma ráqui. Só para lembrar, meu primeiro parto foi natural sem nenhum tipo de anestesia. Também não aprendi nenhuma técnica. Controlava a dor pelos meus gritos. Então, agora, grávida novamente depois de 14 anos, estava decidindo se meu parto seria natural (sem anestesia ou analgesia, como meu primeiro) ou via vaginal, mas com algum tipo de analgesia. Resultado? Fiz minha primeira cirurgia!

Quem vem acompanhando as minhas histórias 
sabe que sou contra cesárea eletiva e escrevi sobre o conceito de parto responsável que eu li em The Pregnancy Book by Dr. Sears. Pois foi isso o que aconteceu. Por mais que eu quisesse um parto natural /normal, eu e Ícaro queríamos esperar minha mãe voltar de viagem e o trabalho de Beto, em uma cidade do interior, terminar para que ele pudesse estar presente, pelo menos nas primeiras semanas.

E Ícaro, não fazendo jus ao nome, obedeceu direitinho. Ele esperou, esperou, esperou... Esperou tanto que, mesmo dando fortes sinais de que já estava pronto (tive muitas contrações desde a 37ª semana)
, quase chegou à sua data provável (28/05).

Eu sei que a gestação pode chegar a 42 semanas, mas também sei que tudo começa a ficar mais delicado e o acompanhamento mais frequente para que não haja risco nem para a mãe, nem para o bebê. Então, ao constatar que o líquido amniótico diminuiu, meu médico pediu para marcar a cesárea.

Chorei muito ao ouvir “vamos precisar tirar amanhã”. Foi isso mesmo que eu ouvi? Tirar?? Já saí de lá para reservar o quarto e me consultar com o anestesista. Beto já estava de volta e me acompanhou juntamente com minha mãe. Eram as duas pessoas que eu queria ao meu lado neste momento.

De volta para casa, tiramos as últimas fotos de Ícaro na barriga. Estava com muito medo da cirurgia (bem, agora não tem mais jeito, não posso ficar grávida para sempre!) e medo do novo (será que não está faltando nada e eu vou saber cuidar dele?). Também estava muito ansiosa... Simplesmente não conseguia dormir. Às quatro da manhã estava no banho e, meia hora depois, saindo de casa para pegar minha mãe e ir para a maternidade.

Tínhamos que chegar duas horas antes, ou seja, às cinco. Horário marcado pelo meu médico e confirmado com a recepcionista na tarde anterior, mas, ao chegarmos lá, descobrimos que só poderíamos ir para o quarto às seis. Aproveitei para colocar em prática as técnicas de respiração que usaria em meu trabalho de parto (e que agora não serviam mais pra nada!!) para fazer o tempo passar e permanecer calma.

Estava triste e com medo. Não conseguia pensar no nascimento do meu filho. Só sentia medo da cirurgia e culpa (onde falhei?). Mas a presença de Beto foi fundamental e eu logo fiquei mais animada. A princípio não queria que ninguém soubesse e depois, que soubessem, mas com muita explicação e justificativa...

E ter contado foi a melhor coisa que fiz, porque senti muita emoção (não me lembro de ter chorado tanto!) ao ver meus familiares através da janelinha da sala de cirurgia. Eles assistiram a tudo! Não só viram Ícaro nascer, mas presenciaram toda a cirurgia!

Durante o processo cirúrgico, não senti nada. Não tinha idéia do que estava acontecendo. Não podia participar (li tanto, fiz até curso!), mas olhava para a minha família e cada um expressava uma emoção diferente e isso, de certa forma, também me deixou bastante emocionada. Beto estava sempre comigo segurando a minha mão, fazendo carinho e trocando olhares. E, ás vezes, eu não acreditava que um sonho de dois anos e meio tentando (essa foi a parte boa, hun?), mais nove meses gestando, estava sendo realizado naquele instante!

A cirurgia foi muito tranquila, melhor do que eu imaginava. O anestesista foi muito especial, contando cada detalhe do procedimento, me confortando e checando como eu estava do início ao fim. Não doeu nada. Ardeu um tiquinho, mas meu médico segurou a minha mão na hora (Beto só podia entrar depois que tudo estivesse arrumado).

Beto estava apreensivo, parado na porta sem poder entrar. O anestesista, com quem me consultei no dia anterior, foi tranquiliza-lo. Também veio falar comigo, dizer que ele não seria meu anestesista, pois já havia sido escalado para outra cirurgia, e me apresentar o anestesista que ficaria comigo. Ele sabia que era a minha 1ª cirurgia e que eu estava com medo, principalmente da anestesia. Fiquei mais tranquila com sua atenção e cuidados.

E o meu medo de sentir alguma coisa ao ser cortada (só me lembrava de Dexter)? Me tranquilizaram. Disseram que iam me perguntar antes de me cortarem! Estavam todos cuidando de mim. Quando meu médico abriu a cortina da janelinha, eu logo perguntei: “nasceu??”, mas era a cirurgia que começava. Só que, em apenas sete minutos, já estávamos ouvindo um chorinho tímido... Foi quando eu tornei a perguntar se era mesmo ele, ainda sem acreditar...

E Ícaro nasceu. Não foi "tirado". E, meu médico, tentando me confortar, perguntou: “não é porque foi cesárea que foi menos emocionante, não foi?”.

Foi emocionante sim. Não tem como não ser. É seu filho chegando para te conhecer! Mas o que eu não sabia, era que até hoje, quase três meses depois, ainda sinto alguma coisinha no local desse corte e que eu não estava nem um pouco preparada para um pós-operatório... Mas isso fica para uma próxima história.