quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ctrl+Alt+Del - Let's start from the beginning

A vontade de morar fora sempre existiu ou, pelo menos, desde quando fui intercambista na Califórnia aos 15 anos e ouvi minha avó me falar, depois da minha high school graduation, pra casar com meu namorado/vizinho e ficar por lá mesmo! Mas um terremoto nos trouxe de volta ao Brasil mais cedo!

Desde então, meu mundo virou pelo avesso (ou passou a fazer mais sentido pra mim!). Da "filhinha de papai" que só tirava boas notas e estudava em escola católica, voltei dos Estados Unidos para uma escola, vamos dizer assim, mais "descolada" e, como as notas neste meu 2º ano não iam servir pra nada, já que, teoricamente, era para eu estar no 3º, foi aí que relaxei de vez!

Foi o ano do Fora Collor, participei de passeatas, filava muita aula e namorava bastante... Mas isso só durou um semestre. Ano seguinte era 3º ano, me comportei melhor um pouquinho e passei muito bem, inclusive, tirando nota máxima na redação do vestibular da UFBA para a faculdade de administração.

Só que a vida me levava para outros rumos. Saí de casa e fiz outro vestibular. Dessa vez para Letras, quando descobri a vocação pra professora dando aulas de inglês. A única coisa que não abria mão era da minha paixão por essa língua, que começou aos 10 anos, depois da minha 1ª viagem internacional... E advinha quem me levou? Vovó...

Por isso, mesmo tendo saído de casa e deixado meu pai zangado (I don't blame him), minha mãe continuava pagando meu curso de inglês. Ao concluí-lo, fiz também todos os cursos avançados até o treinamento para ser teacher e comecei a trabalhar desde cedo.

Quando se ensina línguas, o mundo se abre mais ainda, pois você passa a ter mais contato com a cultura de outros países. Sem falar nas novas amizades com pessoas viajadas. Junte a isso, o fato de eu gostar muito de filmes e músicas em inglês. Morando em Salvador, cheguei a experimentar o carnaval, mas não deu muito certo. E eu sou daquelas que pode estar fazendo um dia lindo, mas prefiro pegar meu casaco e ir ver um filme (legendado, é claro).

Então, quando contei a meus pais, minha irmã e até ao meu tio/chefe que estávamos no processo de morar fora, eles foram unânimes em dizer coisas do tipo "sempre achei que fosse você quem ia morar em outro país e não sua irmã!" (que já mora há mais de 10 anos na Alemanha), "já não era sem tempo!" e também um "é sua cara mesmo!".

Claro que todos sentiram um misto de felicidade e tristeza, mas isso fica para um outro post. Esse aqui termina falando que meu companheiro, há mais de 16 anos, não teve a chance de fazer intercâmbio aos 15, como eu, e foi ter sua experiência depois de casado. Sim, eu liberei kkk. Na verdade, foi nossa 1ª tentativa de viver em outro país (Nova Zelândia).

A ideia era ele ir na frente, fazer um curso para aprimorar seu inglês (síndrome do intermediate level), conseguir um emprego na área de TI (que é área de demanda), trocar o visto de estudante por um de trabalho e dar o OK para eu ir atrás, levando meu mais velho, que na época tinha uns 11 anos. Simples assim e perfeito, não? rs

Só que não deu certo. Eu acredito que fomos ingênuos demais ao basear nossos planos apenas na experiência de alguém, acompanhando sua história através de um blog. Também porque acredito ter sido um desejo mais dele do que meu. Eu estava em outro momento de vida, assumindo um cargo importante. E também porque fiquei preocupada com a adaptação do meu mais velho e de afastá-lo do seu pai. Todas essas coisas se embrulhavam dentro de mim. Resultado? Plano B: um mês de lua-de-mel e retorno para o Brasil. E, já de volta, passamos a falar em fazer uma cerimônia de casamento e ter filho*.

E depois de cumprido com nossos planos do retorno, nosso filho já com 4 anos, voltamos a falar sobre o assunto. Talvez inspirados em mais um casal de amigos que estava se preparando para deixar o país. Talvez pela situação de insegurança em que vivemos. Talvez porque estávamos mais maduros... Só sei que dessa vez, algo muito forte clicou em mim! E quem saiu pesquisando e planilhando e se esforçando para juntar até o último centavo... fui eu!

*histórias que vocês também podem ler nesse blog :)

Um comentário:

Vini Honda disse...

Admirando à distância cada um dos seus passos até chegar aí no exterior! Um beijo, Kari!